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TRILHAS, FESTAS E CACHOEIRAS DA SERRA DA MOEDA.
Após a Inconfidência Mineira, mineradores, artífices e comerciantes espalharam-se para os distantes lugares das províncias de Minas. A agricultura, a pecuária, o artesanato rural e agroindústria substituíram os produtos importados da época. As terras que circundavam as cidades auríferas foram as primeiras a serem ocupadas pelos novos fazendeiros e pelos desafortunados do ouro. Entre elas, a região da SERRA DA MOEDA.
Por volta de 1728, para fugir do pagamento dos altos impostos à Coroa Portuguesa, alguns destes aventureiros construíram aqui perto uma fábrica clandestina de moedas que, mais tarde, acabou dando origem ao nome de uma das mais encantadoras cidades do interior mineiro: Moeda, esta hospitaleira cidade localizada a 60 Km da capital mineira.
Após o posto da Receita Federal, na BR – 040 destino ao Rio de Janeiro entrando à direita, podemos avistar a bela Serra da Moeda, portão de entrada da cidade. Dali se descortina uma vista maravilhosa do Vale do Paraopeba, que é um verdadeiro tapete verde, e das montanhas. O percurso até a sede nos reserva outras grandes e agradáveis surpresas, como pequenas quedas d’águas cristalinas, sendo impossível não se emocionar com a beleza da paisagem nos 15 Km até a cidade de Moeda, que, ainda pequena – tem cinco mil habitantes – e com costumes da era de sua fundação, permiti-nos até hoje ver pelas ruas cavaleiros, charretes, e, às vezes, nostálgicos carros de bois. Pelas ruas, também é comum encontrar pessoas se dedicando a longos bate-papos, sem a pressa da cidade grande, sentado ora nos bancos da Estação Ferroviária, ora nos barzinhos mais populares.
NOS TEMPOS DO TREM...
A Estação Ferroviária, construída em 1919, preservada e restaurada pela Prefeitura, é o ponto de maior atração da cidade, onde hoje funcionam a Biblioteca Municipal e a Secretaria de Educação. Quem passa pela cidade não deixa de reviver os bons tempos do trem de ferro. Como a cidade é cortada pela linha férrea, sempre escutamos o barulho de uma locomotiva a correr sobre os trilhos, dando a cidade àquele inconfundível gostinho que só o interior de Minas tem...
As velhas fazendas são também parte da história de Moeda. Na aba da serra, por exemplo, foi construída uma delas, sendo seu nome original “Fazenda da Boa Memória”, com o número de 12 proprietários. De 1728 a 1730, ali surgiu e funcionou a então fábrica clandestina de moedas, onde se cunhava moedas em ouro trazido de Vila Rica, numa explicita sonegação ao fisco português. Hoje, apesar de já em ruínas, ainda podemos encontrar vestígios deste passado. Após a descoberta da clandestinidade, o episódio marcou a região de tal forma que a serra que antes era conhecida com o nome de Paraopeba passa a se chamar Serra da Moeda, e, mais tarde, simplesmente Moeda.
Em 1726, foi construída a legendária “Fazenda das Contendas”, nome originário de uma disputa entre os herdeiros. Esta propriedade que há pouco tempo era destaque no cenário mineiro pela sua beleza exuberante, no inicio do século XX era considerada a maior fonte de riqueza do município. Dos mais antigos moradores da região, os mesmos, ainda recordam do poderio que era a fazenda nos tempos áureos, onde nos vastos campos cultivados de solo riquíssimo, brotavam férteis os verdes milharais e os altivos canaviais. “Podíamos apreciar da enorme varanda a lua surgir com seu prateado, iluminado todo o Vale com sua luz diáfana a quieta natureza que já se preparava para adormecer”, recorda saudosamente a Sra. Nilda Soares Moura, neta do “Doutor de Contendas”. Ainda, hoje, se podem ver algumas de suas tulhas erguidas na localidade que ainda leva seu nome.
CACHOEIRAS E BELAS QUEDAS D’ÁGUAS...
O município é cercado por várias e belíssimas cachoeiras de águas puras e transparentes. A apenas dez minutos da cidade já podemos chegar até Pessegueiro, na zona rural. Trata-se de um lugarejo cortado pelo ribeirão da Barra, afluente do Paraopeba, que em seu percurso abriga várias cachoeiras de encher os olhos. Em certos trechos, as águas correm tranqüilamente, vão retratando o azul do céu, gravando no seu eterno marulhar o trinado mavioso dos pássaros. Entre elas a Cachoeira da Ponte, a preferida das crianças. Para quem prefere um salto maior e uma queda de água mais agitada, basta seguir em frente que em pouco tempo surge a Cachoeira do Paiolinho, onde, além de beleza natural, em forma de uma verdadeira piscina cristalina de água corrente, tem razoável infra-estrutura.
O Paiolinho – que tem campo de futebol e peteca, além de uma vista maravilhosa, que encanta a todos que o visitam -, também tem restaurante que serve deliciosa comida caseira. Bom, para quem gosta de tranqüilidade e muito verde, ainda temos a opção das Cachoeiras do Fundão e do Limoeiro. Enfim, seja pelas quedas d’águas, pelo verde luxuriante da vegetação, como pelo cantar dos pássaros, pelos Doces Antunes, artesanatos rurais e também pelas varias pousadas super aconchegantes, Moeda é sinônimo de um programa imperdível.
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